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  • Suzanne

Trilhas profissionais: a arte de questionar-se

Abandonar Velhos Trilhos


Rubem Alves no livro "A alegria de ensinar" (1994) escreveu: "Pensar é voar sobre o que não se sabe. Não existe nada mais fatal para o pensamento que o ensino das respostas certas. Para isso existem as escolas: não para ensinar as respostas, mas para ensinar as perguntas. As respostas nos permitem andar sobre a terra firme. Mas somente as perguntas nos permitem entrar pelo mar desconhecido".


Ajudar os adolescentes e jovens a formular questionamentos é o ponto inicial do Planejamento Criativo de uma Rota Profissional. Quem não é capaz de formular suas próprias perguntas não chegará a respostas libertadoras. Como dito por Rubem Alves, respostas levam a pisar em terra firme, mas perguntas nos levam a aventurar-nos por um Oceano desconhecido que nos proporciona novas descobertas.


Ao longo dos anos, durante as minhas andanças e em contato com adolescentes e jovens de diferentes países, percebi que aqueles que não conseguem expressar seus desejos mais profundos são, em geral, os que não costumam formular perguntas para si mesmos. É como se o diálogo interior ficasse estancado e a mente estivesse girando, constantemente, em 360 graus, fazendo com que sempre se chegasse a um mesmo ponto, o que gera um intenso esgotamento mental e emocional.


Velhos trilhos e velhas trilhas podem parecer seguros. Contudo, suas estruturas corroídas pela ferrugem podem impedir que o trem da vida ziguezagueie por caminhos abertos a novas paisagens.


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Quais são os Velhos Trilhos?


Os velhos trilhos são aqueles arquitetados para que sigamos as mesmas rotas percorridas por dezenas, centenas ou milhares de pessoas. É a repetição do que, aparentemente, deu certo para os outros.


A sociedade propaga imagens de pessoas de sucesso. São rótulos que nos levam a crenças como: a profissão de Mengano é promissora, a aparência de Beltrano é a melhor ou a posição social de Fulano é invejável. Assim são edificadas as personificações dos indivíduos que devem ser endeusados e seguidos em nossa sociedade atual. Ser diferente significa romper as estruturas pré-estabelecidas.


Os adolescentes e jovens estão expostos a isso rotineiramente, através da propagação de mensagens diretas e indiretas em seus lares, ambientes que frequentam e redes sociais. Eles absorvem determinados conceitos e comportamentos como sendo legítimos.


Os velhos trilhos estão sinalizados de forma a acreditarmos que aquele é o caminho mais seguro, é a terra firme cheia de respostas aparentemente óbvias. Eles não nos convidam a formular perguntas, mas sim a repetir respostas.


E quais são as Novas Trilhas?


Perguntar é abrir espaço para a dúvida. Digamos, metaforicamente, que é o pensamento de alguém que está subindo em um trem e se pergunta: "quantas curvas, túneis e bifurcações surgirão no meio do caminho? "


A rota pode ser planejada no início da viagem, mas há a abertura para o incerto, para novidades conforme o trem estiver em movimento.


Uma trilha profissional deve ser, antes de mais nada, sonhada, porque o sonho alegra os corações, motiva as almas, determina metas e estabelece novas conexões entre o hipotético e o realizado. Uma nova trilha é desenhada a partir de questionamentos como: para onde irei, como irei, com quem irei, quando irei, o que encontrarei ao longo do caminho?


Estas são apenas algumas das tantas questões que o viajante pode fazer. A arte de questionar-se requer imaginação e perseverança para se formular perguntas estimulantes que levem a respostas apaixonantes.


Deixe as ideias que moram dentro de si mesmo/mesma lhe conduzirem por novas trilhas libertadoras!


Pense que você é um(a) pintor(a), sua mente é uma tela em branco e não há recursos físicos disponíveis para que desenvolva uma obra prima. Use todo o seu potencial criativo, abstratamente, e comece se perguntando: quais são as possibilidades para preencher o espaço vazio que habita em mim?


Então, lembre-se de outro dos belíssimos ensinamentos de Rubem Alves: "o que faz um quadro não é a tinta: são as ideias que moram na cabeça do pintor. São as ideias dançantes na cabeça que fazem as tintas dançar sobre a tela".





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